Hiperadobe – Terra Ensacada



O Hiperadobe ou terra ensacada é uma técnica onde se utiliza a terra limpa sem resíduos orgânicos, normalmente do próprio local da obra. Essa terra é peneirada e em uma sacaria de cítricos, cuja malha é aberta (já adaptada para construção civil), preenchemos com a terra. Essa sacaria já é um aperfeiçoamento do superadobe, onde se usava saco de rafia com arame farpado entre as fiadas, e ao final do trabalho o saco era queimado. Posteriormente a parede recebe o reboco em terra.

A sacaria de ambas é comprada em rolo, sendo a do Hiperadobe chamada de Raschel.

A moradora Janaina é grande entusiasta desta técnica, e construiu sua casa na Ecovila em Hiperadobe. Foi ela quem nos motivou a usar essa técnica.


A arquiteta Barbara Silva participou de treinamento e ajudou a construir algumas paredes de sua casa, aperfeiçoando a técnica para finalmente ser utilizada na Casa das Birutas.

Na Casa das Birutas, a terra retirada para fazer a fundação da casa foi separada e limpa para ser usada nas paredes de contenção da parte inferior da casa.


As paredes com aproximadamente 40 cm de largura tem como recheio uma terra umedecida. Quando muito argilosa, esta terra recebe um pouco de areia. Nas cinco primeiras fiadas, utilizamos um traço de 1:9 (1 balde de cimento para 9 de terra). Esta pequena quantidade de cimento foi necessária para dar um pouco de resistência à base da parede e garantir que a água da chuva não desmanchasse a terra enscada (o respingo de chuva que cai no chão chega até uns 50 cm de altura).


O hiperadobe foi construído, no andar interior da casa, diretamente sobre o contrapiso em concreto e protegido do talude por uma lona. Foi também instalado um dreno, evitando que a água do terreno íngreme cheguasse até ele.


No patamar logo abaixo do piso inferior, o outro muro de contenção está apoiado diretamente sobre a um lastro com pedriscos, protegido também a lona e também foi instalado um dreno.

Cada fiada foi compactada com um pilão de aproximadamente 35 kg, feito de um pedaço de 50cm coluna de cupiuba, de 15x15cm. Para que o pilão ficasse firme foi passada uma barra rosqueada de fora a fora do pilar e em cada lado, fixado um cabo de enxada atravessada e depois mais um ponto com parafuso para evitar o giro dos cabos.


Para colocar a terra dentro do saco de raschel, os pedreiros tiraram um fundo de um balde plástico que se encaixava bem no buraco da sacaria. Antes de começar o trabalho, eles vestiam o balde com o raschel, como se ele fosse uma meia calça. Conforme a terra ia entrando o saco ia saindo do balde e formando as longas “pernas”.

Para que todo processo funcionasse foi necessário uma equipe de 6 a 8 homens que se revezavam na peneiração, mistura, transporte dos baldes de terra até o local da parede. Depois, apiloavam compactando e batendo o pilão lateralmente nos sacos para que ele ficasse caprichosamente reto.

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